12.5.09

Alta perseguição em Lisboa!

No mesmo dia em que o famigerado bairro da Bela Vista voltou a ser notícia, eis que uma autêntica bomba rebenta na agência noticiosa Lusa – mais uma violenta e aparatosa perseguição policial desde a Pontinha até ao Campo Pequeno.

Uma fonte do Comando Metropolitano de Lisboa relatou à Agência Lusa que, uma vitela com pelo menos 80 quilos foi hoje perseguida por viaturas da PSP desde a Pontinha até ao Campo Pequeno, onde o animal foi finalmente imobilizado.

De acordo com o oficial de dia da Polícia de Segurança Pública, o animal estava a ser perseguido por duas viaturas da PSP desde a Pontinha, mas foram necessárias mais três para o bloquear cerca das 12.50 na parte de trás do Campo Pequeno, em Lisboa.

Segundo a mesma fonte, duas das viaturas "sofreram alguns danos", tendo o animal sedo posteriormente transportado numa carrinha de caixa aberta para o canil municipal. (canil?!?)

A PSP está a tentar apurar a origem da vitela, com peso estimado "entre os 80 e os 100 quilos".

Não será esta a descrição de qualquer vitela??? Só faltou dizer que tinha uns olhos negros meigos, um sorriso aberto, com pêlo brilhante, provavelmente afro-europeia.

Foi o DRAMA, o HORROR e a INCERTEZA em plena capital!
E andamos nós preocupados com a crise, o acesso facilitado a armas de fogo ou o aumento da criminalidade...


*Ricky*

2 comments:

Anonymous said...

OS BANDOS DOMINAM NOS BAIRROS SOCIAIS

Os partidos de esquerda desculpam sistematicamente a criminalidade com o a pobreza e o desemprego. Parece terem receio de uma atitude mais enérgica na luta contra o crime. Será que ficaram traumatizados desde os tempos do fascismo? Esta postura está a desorientar o seu próprio eleitorado natural: os mais pobres que são também os mais desprotegidos face à criminalidade. Assim, os partidos de esquerda têm muita responsabilidade relativamente ao crescimento da extrema direita que tem um discurso bem mais sensato sobre o combate crime. Barack Obama – que se poderá considerar de esquerda – prometeu ser implacável no combate ao crime e defender ao mesmo tempo os mais desfavorecidos. Não me parece que isso seja incompatível.

Todos os dias vemos fechar Empresas jogando muita gente no desemprego e na pobreza. Frequentemente, ficam muitos meses de salários por pagar, levando essas pessoas a uma situação de desespero. Se fosse esse o motivo dos desacatos que se têm visto nos bairros sociais, então eles aconteceriam preferencialmente nas manifestações junto aos antigos locais de trabalho, onde se aglomeram muitas pessoas na mesma situação.
Não! o que se viu no Bairro da Bela Vista foi a homenagem a um criminoso abatido em flagrante pela polícia, numa atitude de desafio à própria polícia como que para testar a sua capacidade de reacção e para uma demonstração de força no bairro.

Há 50 anos a pobreza em Portugal não era menor que a de hoje e a criminalidade violenta era praticamente inexistente. Se mais pobreza implicasse mais criminalidade, então não teria sido assim. As estatísticas nem reflectem a nossa realidade porque muitas vítimas já nem se queixam porque sabem que os criminosos são rapidamente postos em liberdade, mesmo quando são capturados e depois ficam sujeitos a represálias. Mela mesma razão, vítimas e testemunhas escondem a face quando são entrevistadas pela televisão.

Já há algum tempo um Mayor de Nova Iorque decidiu que não se deveria menosprezar a pequena criminalidade nem os pequenos delitos, porque a sensação de impunidade se instala nos jovens delinquentes, estes vão facilmente progredindo para infracções cada vez mais graves até que a situação se torna incontrolável. Implementou então a célebre "Tolerância Zero" que, como se sabe, deu óptimos resultados, reduzindo num só ano a criminalidade em Nova Iorque em cerca de metade.

A actual política portuguesa de manter na rua os criminosos, mesmo depois de várias reincidências, faz (como dizia o Mayor ) crescer a sensação de impunidade: o criminoso continua com as suas actividades criminais, vai subindo o nível dos seus delitos e serve de exemplo para que outros delinquentes mais jovens sigam o mesmo caminho.

Mas existem muitas pessoas trabalhadoras e humildes nos bairros sociais que não levantam problemas e que só desejam que os deixem viver em paz, o que não acontece, porque estão reféns dos bandos de criminosos que dominam nesses bairros. Não se pode contar com essas pessoas para testemunharem qualquer acto criminoso a que assistam porque têm medo, medo de represálias porque não se sentem convenientemente protegidas pela polícia que também não pode estar sempre presente. Lembra as favelas brasileiras...só que no Brasil polícia e militares juntam esforços para combater o domínio dos bandos nas favelas e tem havido baixas parte a parte mas a polícia começa a chegar onde antes não se aventurava. Por cá, enquanto o crime cresce e toma posições de domínio, a polícia, apesar de vontade, nada pode fazer porque lhe falta a autoridade. Entretanto, Governo, Partidos, Bispos e outras organizações não compreendem o que se está a passar e fazem conjecturas absurdas sobre o motivo dos desacatos que é por demais evidente. Será que temos que cair no fundo?

Ah! esquecia-me de uma coisa: espero que os indivíduos filmados a fazer "cavalinho" com as motos sejam punidos pelo menos por CONDUÇÃO PERIGOSA. É incorrecto multar o pacato cidadão apenas porque ultrapassou 50 Km/hora e deixar impunes estes exemplos exibicionistas...

A sugestão de Paulo Portas de entregar a gestão dos bairros sociais à igreja parece-me uma boa idéia: parece que a igreja tem soluções para os problemas...

Zé da Burra o Alentejano

Alexandre Vilarinho said...

Viva, Zé da Burra.

Antes demais, muito obrigado pelo comentário. É sempre ouvir novas e refrescantes ideias de leitores que desconhecemos.

Como é sabído, sou de esquerda e do Benfica (um duplo vermelho). No entanto, orgulho-me de dizer que não sou clubista nem "politiquista". Aquele que não consegue ver erros no seio do seu partido e/ou clube, faz parte do problema (estou a usar o exemplo futebol para diversificar o meu ponto de vista).
(in)felizmente nada é perfeito e vejo no meu partido o seguir do caminho fácil em certas matérias. Ou seja, concordo na totalidade com o primeiro parágrafo. Passa-se muito "a mão no pêlo" em Portugal e a falta de um pulso forte com a criminalidade produz efeitos nefastos a médio prazo.
Por vezes, costumo cair na esparrela do fundamentalismo devido a certas injustiças que vemos devido ao nosso sistema judicial. Parece que em Portugal, o pecador é o justo que sempre viveu recto às leis, à justiça e ao bom senso mas que, num pequeno lapso ocasional, se esqueceu de pagar uma factura da luz, ou de entregar uma declaração de IRS um dia antes ou mesmo de ir a 60khm numa zona de 50... Para esses, a justiça surge com um esmagador punho que os coloca no seu lugar, esses malandros! Esses sim, são a verdadeira causa da crise em Portugal!
Nestas ocasiões, lembro-me sempre de uma citação de Jean Rostand, um filósofo francês:
"On tue un homme, on est un assassin. On en tue des millions, on est un conquérant. On les tue tous, on est Dieu"
Traduzindo, "Mata um homem, és um assassino. Mata milhões, és um conquistador. Mata todos, és um deus".

De certa forma, compreendo a atitude de quem rouba ou assalta. Se o sistema não funciona, porquê não aproveitar? Se hoje roubo e sou apanhado mas amanhã estou a jantar em casa, porquê me preocupar...?
E não, não acredito que a criminalidade exista SÓ devido ao desemprego. Sempre existiu criminalidade, certo? Nem todos os cidadãos gostam de cumprir regras. Uns tomam o caminho mais fácil, outros não...

Sobre a sugestão do Paulo Portas, acho que seria no minimo, interessante. Se a solução da Igreja para quase TODOS os males é aceitar deus, talvez faça sentido... Os criminosos legítimos que se preocupem com os criminosos ilegítimos...

Mais uma vez, obrigado pela participação.